O desafio era pegar o primeiro parágrafo e fazer uma "explosão" literária, sem se preocupar com o resultado, em no máximo 3000 caracteres. Eis o resultado:
Navalha
Um homem se levanta. Vai ao banheiro e se observa no espelho. Passa a espuma de barbear, pega sua navalha, mas não consegue se barbear.
A campainha toca, mas ele não se move. A campainha insiste e tudo o que ele faz é fechar a porta do banheiro.
Silas não sabe o que vê no espelho. – Quem sou eu? O homem que está me mirando ou o que a mulher do outro lado da porta quer que eu seja?
- Mas, se eu sou o que penso ser, o que farei agora? O que estou sendo hoje não era o que eu queria, ou deveria, ser...
- E o que o espelho mostra senão uma imagem reflexa e, portanto, distorcida do que eu sou? E já que sou uma imagem distorcida por que não ser a imagem que ela quer que eu seja? E por que não ser a imagem que todos querem que eu seja?
– Tenho de lembrar que sendo o que ela quer, poderei desfrutar daquele corpo que é tudo o que eu quero – pensa ele relembrando da noite maravilhosa.
- Quem serei agora?
Eram esses os pensamentos de Silas ao ouvir insistentemente a campainha da porta, que prosseguia cada vez mais agressiva.
Resolveu não fazer a barba. Não queria deixar de ser ele, até porque nem sabia quem era. Mas guardou a navalha no bolso. Já que não sabia quem era, nem onde estava, então não sabia o que esperar.
Ouviu que a mulher se levantava, reclamando:
- Quem tem coragem de me acordar desse jeito, numa hora dessas? morreu alguém? Espero que sim, pois senão vai ter morte agora.
E quando ela abre a porta fica sem voz:
Ela se vira e olha na direção do banheiro onde supostamente deveria estar seu marido e não entende como ele pode estar na porta com cara de quem não está entendendo nada.
É quando a porta do banheiro se abre e Silas se vê no vão da porta.
Fecha a porta do banheiro rapidamente decidido a acabar de vez com este sonho louco. Cerra os olhos, balança a cabeça e diz: - não, não, não!!!
Mas quando abre os olhos ele continua no mesmo banheiro, com os objetos que parecem seus, mas que não são...
Veste rapidamente a roupa e sai alarmado com os gritos que ouve.
- Você disse que ia comprar um cigarro, há mais de uma semana. Já te procurei em hospitais, necrotérios e te considerava morto, até ontem quando te encontrei, quer dizer encontrei ele – apontando Silas- bêbado naquele bar, e o trouxe para casa. E só agora tu aparece.
- Onde tu andava vagabundo? Com que piranha tu passou esses dias? Fala logo, senão eu vou te matar – e se jogou no marido para bater.
Foi quando Silas se dirigiu para porta tentando sair. Mas os dois pararam e se viraram para ele.
Desta vez foi a vez do marido: - E quem é esse vagabundo que você já colocou aqui dentro de casa, sua puta? Tu tá ficando louca é? Eu é que vou te matar e a ele também.
Silas sentiu o ar denso, pesado, colocou a mão no bolso e segurou a navalha; mas antes de fazer uso é interrompido pelo choro da mulher dizendo que achou que ele era seu marido, que estava muito bêbado e achou que ele tinha até perdido a memória. Disse ainda que não aconteceu nada, que eles só dormiram, e tudo porque ela pensava que ele era seu marido.
O marido esfriou um pouco e Silas aproveitou para ir embora. Mas o seu sósia foi mais rápido: empurrou a mulher e se jogou em cima dele.
Ainda ouviu o homem falar: - Quem é você que quer tomar o meu lugar? Como ousa fingir que sou eu? E depois destas palavras só se recorda de um murro em sua direção, o barulho de dentes quebrados e o gosto de sangue na boca...
Com esforço conseguiu se por em pé e aproveitou para sair correndo.
Quando chega à rua recorda que ontem perdeu seu emprego de professor, que não tem como pagar o aluguel e nem dinheiro algum, já que bebeu tudo à noite. Pensa na navalha no bolso. Pega ela decididamente, sorri para si mesmo e a joga no rio que corre à sua frente.
27/11/2007
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
Micro-contos
Estou numa oficina leterária e foi lançado um desafio: fazer micro-contos. Tinha de ser contos com menos de 50 palavras cada. Aí vão três amostras deste exercício:
Casamento definitivo
Ari casou seis vezes. Aproximando do sétimo enlace descobriu um câncer. Tinha de lutar contra doença. Não conseguiu.
– Ela te venceu?
– Não, somos inseparáveis. Enfim, arranjei um casamento pro resto da vida!
(34 palavras, 194 caracteres)
Mudança
Sarah criança: pai alcoólatra, choros e gritos da mãe. E da filha.
Cresceu. – Queria alguém diferente.
Conheceu João: bebia todas. Casou com Pedro: violento.
Separou. Está sozinha. Diferente.
(29 palavras, 170 caracteres)
Torquato Neto,
Acordou; era um dia após seu aniversário. Olhou o sol. Beijou seu filho. Escreveu a despedida: -... Pra mim, chega! Não sacudam demais o meu filho, que ele pode acordar.
Ficou sozinho, ligou o gás. Acabou!
(37 palavras, 183 caracteres)
Casamento definitivo
Ari casou seis vezes. Aproximando do sétimo enlace descobriu um câncer. Tinha de lutar contra doença. Não conseguiu.
– Ela te venceu?
– Não, somos inseparáveis. Enfim, arranjei um casamento pro resto da vida!
(34 palavras, 194 caracteres)
Mudança
Sarah criança: pai alcoólatra, choros e gritos da mãe. E da filha.
Cresceu. – Queria alguém diferente.
Conheceu João: bebia todas. Casou com Pedro: violento.
Separou. Está sozinha. Diferente.
(29 palavras, 170 caracteres)
Torquato Neto,
Acordou; era um dia após seu aniversário. Olhou o sol. Beijou seu filho. Escreveu a despedida: -... Pra mim, chega! Não sacudam demais o meu filho, que ele pode acordar.
Ficou sozinho, ligou o gás. Acabou!
(37 palavras, 183 caracteres)
terça-feira, 9 de outubro de 2007
Um conto como sobremesa...
Hoje é um dia especialmente fértil. É que ainda estou quase de férias... mas volto para o trabalho médico hoje mesmo.
A idéia deste conto me rondava há um mês, mas só hoje consegui fazê-lo...
Quando a vida nos surpreende....
Quando Lumara acordou naquele dia não poderia imaginar que ele seria imensamente maior que os outros e proporcionalmente mais pesado. Ao se arrumar para deixar seu filho único de oito anos, Filipe, no colégio, vestiu sua roupa de ginástica e saiu determinada a cumprir com sucesso sua longa agenda: filho no colégio, academia, trabalho, almoço/reunião, trabalho, salão de beleza, casa e se arrumar correndo para o Congresso de Marketing, da qual era Presidente e faria a abertura.
E não esqueceu que no meio do trabalho teria de rever os slides que iria apresentar à noite. Que tinha de lembrar o ex-marido de pegar o Filipe no colégio para dormir com ele. E também que tinha de ligar para buffet, floricultura e hotel para que tudo estivesse perfeito no Congresso.
Foi com esse espírito que saia de casa:
- Vamos Filipe, já estou atrasada.
- Peraí mãe! Já to descendo.
-Você sempre me atrapalha, tem de ser mais organizado, vamos, hoje é um dia difícil, vamos , corre!!!...
Após deixar o filho no colégio o celular toca:
- Bom dia. A Senhora é Lumara que mora em Brasília, filha de Dona Adelaide Silveira?
-Sim sou eu mesma, porque?
- Ela é dona de um Fiat uno prata?
E já sem paciência - Sim, mas quem está falando, que perguntas são essas? o que aconteceu? É brincadeira? Vamos responda rápido!
- Sou policial e sinto informá-la: sua mãe morreu!!! Teve um acidente de carro aqui em Luziânia, atravessou o sinal vermelho e um ônibus a acertou. Teve morte imediata e estamos aguardando os parentes para identificar o corpo...
Não conseguiu mais falar. Desligou o celular, sentou-se no meio-fio onde estava e sem perceber se havia expectadores para sua dor, chorou copiosamente. Nada mais importava...
As cenas vieram de chofre, sem pedir licença: sua mãe ralhando com ela para comer, o passeio na pracinha que faziam na infância, a roseira delas, o seu casamento quando sua mãe lhe vestiu a roupa...quando Filipe nasceu e todas as vezes que ele esteve doente, quando Lumara não podia parar o trabalho, e sua mãe vinha lhe ajudar... e como flashs as cenas se reproduziram consecutivamente, sem intervalos para dor.
A agonia se fez imensa quando lembrou das inúmeras vezes que sua mãe solicitou que a visitasses em Luziânia, que era tão perto de Brasília; ou então deixasse que ela ficasse uns dias em sua casa para ver o neto - mas a sua agenda lotada não a permitia nada disso. Mais de seis meses que não vejo minha mãe!!! Tanto que o Filipe pediu para ir lá. Acho que ele estava advinhando. Como eu fui burra!
- Oh! Meu Deus! Porque deixei tudo isso acontecer? E agora não tenho mais ela...onde ela está? Cadê aquele sorriso doce? Onde está minha mãe?????? Como eu faria tudo diferente. Deus me livra desta dor!!! Lágrimas jorravam sem parar
O telefone toca.
Ela não consegue atender!
O chamado insiste até que Lumara responde:
- Oi!.
- Oi filha sou eu.
Susto! !!!
Era sua mãe. Como era isso? Ela estava se comunicando com ela morta? Existia espírito? Tudo isso passou por sua cabeça até ela responder: - mãe é você? Onde você está? Não morreu?
- Não filha, eu tô ligando para dizer que sua tia Joana, veio aqui, pegou meu carro escondido para flagrar seu marido que estava lhe traindo e atravessou um sinal vermelho e...
- Eu sei mãe ela morreu, o guarda me ligou achando que era a senhora. Ah! mãe que alívio que a senhora está viva. Estava desesperada sem saber o que fazer.
- Lumara, estou precisando de você, você sabe que Joana era a única irmã que me restou, estou muito abalada, me sinto sozinha, perdida...vem pra cá filha, fica no enterro comigo, por favor e... ( o pranto não permitiu continuar )
- Mãe, quando é o enterro? Amanhã né? Desculpa, estou sem condições de ir, tenho um Congresso de três dias que começa hoje. E por falar nisso já estou atrasada para resolver tudo, que tenho de resolver até a noite. Sinto muito, mãe, hoje é um dia impossível. Tentarei ir no fim de semana. Não esqueça que te amo e vou tentar estar mais juntinho da senhora à partir de agora. Beijo, tchau!
E saiu pensando que aquele incidente tomou pelo menos uma hora, de um dia desses tão tumultuado. E as lágrimas ainda lhe deixaram com uma aparência horrível
- Que horror. Mas o susto serviu para me organizar e estar mais presente na vida da minha mãe. Deve ser um aviso de Deus.
Foi quando lembrou: - vou ter que avisar a mamãe, ligo amanhã, depois do enterro, que neste fim de semana vou ter visitas em casa – amigos que vieram para o congresso e que teremos de fechar negócios - e logo depois viajo para um curso de duas semanas em São Paulo, mas quando chegar vejo um tempinho de ir lá!
E saiu, sob um sol pálido, para seguir driblando o tempo deste dia tão imensamente carregado.
09/10/2007
A idéia deste conto me rondava há um mês, mas só hoje consegui fazê-lo...
Quando a vida nos surpreende....
Quando Lumara acordou naquele dia não poderia imaginar que ele seria imensamente maior que os outros e proporcionalmente mais pesado. Ao se arrumar para deixar seu filho único de oito anos, Filipe, no colégio, vestiu sua roupa de ginástica e saiu determinada a cumprir com sucesso sua longa agenda: filho no colégio, academia, trabalho, almoço/reunião, trabalho, salão de beleza, casa e se arrumar correndo para o Congresso de Marketing, da qual era Presidente e faria a abertura.
E não esqueceu que no meio do trabalho teria de rever os slides que iria apresentar à noite. Que tinha de lembrar o ex-marido de pegar o Filipe no colégio para dormir com ele. E também que tinha de ligar para buffet, floricultura e hotel para que tudo estivesse perfeito no Congresso.
Foi com esse espírito que saia de casa:
- Vamos Filipe, já estou atrasada.
- Peraí mãe! Já to descendo.
-Você sempre me atrapalha, tem de ser mais organizado, vamos, hoje é um dia difícil, vamos , corre!!!...
Após deixar o filho no colégio o celular toca:
- Bom dia. A Senhora é Lumara que mora em Brasília, filha de Dona Adelaide Silveira?
-Sim sou eu mesma, porque?
- Ela é dona de um Fiat uno prata?
E já sem paciência - Sim, mas quem está falando, que perguntas são essas? o que aconteceu? É brincadeira? Vamos responda rápido!
- Sou policial e sinto informá-la: sua mãe morreu!!! Teve um acidente de carro aqui em Luziânia, atravessou o sinal vermelho e um ônibus a acertou. Teve morte imediata e estamos aguardando os parentes para identificar o corpo...
Não conseguiu mais falar. Desligou o celular, sentou-se no meio-fio onde estava e sem perceber se havia expectadores para sua dor, chorou copiosamente. Nada mais importava...
As cenas vieram de chofre, sem pedir licença: sua mãe ralhando com ela para comer, o passeio na pracinha que faziam na infância, a roseira delas, o seu casamento quando sua mãe lhe vestiu a roupa...quando Filipe nasceu e todas as vezes que ele esteve doente, quando Lumara não podia parar o trabalho, e sua mãe vinha lhe ajudar... e como flashs as cenas se reproduziram consecutivamente, sem intervalos para dor.
A agonia se fez imensa quando lembrou das inúmeras vezes que sua mãe solicitou que a visitasses em Luziânia, que era tão perto de Brasília; ou então deixasse que ela ficasse uns dias em sua casa para ver o neto - mas a sua agenda lotada não a permitia nada disso. Mais de seis meses que não vejo minha mãe!!! Tanto que o Filipe pediu para ir lá. Acho que ele estava advinhando. Como eu fui burra!
- Oh! Meu Deus! Porque deixei tudo isso acontecer? E agora não tenho mais ela...onde ela está? Cadê aquele sorriso doce? Onde está minha mãe?????? Como eu faria tudo diferente. Deus me livra desta dor!!! Lágrimas jorravam sem parar
O telefone toca.
Ela não consegue atender!
O chamado insiste até que Lumara responde:
- Oi!.
- Oi filha sou eu.
Susto! !!!
Era sua mãe. Como era isso? Ela estava se comunicando com ela morta? Existia espírito? Tudo isso passou por sua cabeça até ela responder: - mãe é você? Onde você está? Não morreu?
- Não filha, eu tô ligando para dizer que sua tia Joana, veio aqui, pegou meu carro escondido para flagrar seu marido que estava lhe traindo e atravessou um sinal vermelho e...
- Eu sei mãe ela morreu, o guarda me ligou achando que era a senhora. Ah! mãe que alívio que a senhora está viva. Estava desesperada sem saber o que fazer.
- Lumara, estou precisando de você, você sabe que Joana era a única irmã que me restou, estou muito abalada, me sinto sozinha, perdida...vem pra cá filha, fica no enterro comigo, por favor e... ( o pranto não permitiu continuar )
- Mãe, quando é o enterro? Amanhã né? Desculpa, estou sem condições de ir, tenho um Congresso de três dias que começa hoje. E por falar nisso já estou atrasada para resolver tudo, que tenho de resolver até a noite. Sinto muito, mãe, hoje é um dia impossível. Tentarei ir no fim de semana. Não esqueça que te amo e vou tentar estar mais juntinho da senhora à partir de agora. Beijo, tchau!
E saiu pensando que aquele incidente tomou pelo menos uma hora, de um dia desses tão tumultuado. E as lágrimas ainda lhe deixaram com uma aparência horrível
- Que horror. Mas o susto serviu para me organizar e estar mais presente na vida da minha mãe. Deve ser um aviso de Deus.
Foi quando lembrou: - vou ter que avisar a mamãe, ligo amanhã, depois do enterro, que neste fim de semana vou ter visitas em casa – amigos que vieram para o congresso e que teremos de fechar negócios - e logo depois viajo para um curso de duas semanas em São Paulo, mas quando chegar vejo um tempinho de ir lá!
E saiu, sob um sol pálido, para seguir driblando o tempo deste dia tão imensamente carregado.
09/10/2007
poetrix 2
me encantam os amigos
que surgem no momento certo
que ficam nas horas erradas
que saboreiam os instantes eternos
que surgem no momento certo
que ficam nas horas erradas
que saboreiam os instantes eternos
poetrix
Tenho um amigo e que também é meu mestre na oficina literária : Oswaldo Pullen,
que sempre tenta me convecer a fazer Poetrix... confesso que minha prolixidade
não permite... mas segue um que espero ser o primeiro de uma série:
Sempre gostei dos dias de chuva
Que escondem mais do que mostram
Que enterram segredos e lavam tristezas
Me aliviando a crueza da mágoa
que sempre tenta me convecer a fazer Poetrix... confesso que minha prolixidade
não permite... mas segue um que espero ser o primeiro de uma série:
Sempre gostei dos dias de chuva
Que escondem mais do que mostram
Que enterram segredos e lavam tristezas
Me aliviando a crueza da mágoa
Aqui segue outra poesia saída do forno agora...
Não sou vingativa, rs,rs, mas a poesia me veio inteira assim...
e com licença poética...
Ao homem que me abandonou
Te condeno que encontres
crueza gelada ao invés de fogo
garras de gavião e não mãos sábias
rosto vazio com olhar morto
lábios de serpente ao invés de beijos
Fel, dor, solidão, desgosto...
Até encontrar alguém que perceba tudo que és,
te amarre na cama pra sempre
e te ame como eu amei
09/10/2007
e com licença poética...
Ao homem que me abandonou
Te condeno que encontres
crueza gelada ao invés de fogo
garras de gavião e não mãos sábias
rosto vazio com olhar morto
lábios de serpente ao invés de beijos
Fel, dor, solidão, desgosto...
Até encontrar alguém que perceba tudo que és,
te amarre na cama pra sempre
e te ame como eu amei
09/10/2007
Mais poesia...
Acabei de chegar do Congresso Brasileiro de Poesia, realizado em Bento Gonçalves, entre os dias 1 e 07/10 e minha cabeça está repleta de poesias, que estão chegando prontas e tenho que compartilhar com vocês:
Encontros não marcados
Da primeira vez que vi o amor ele se apresentou colorido,
brincamos e sorrimos juntos,
tão inocentemente adolescentes
que nos tornamos um...
Ele falava poesias, vestia flores
e juntos descobrimos o corpo
que misturamos a tudo que tínhamos
Um pouco de paixão, um pouco de amor,
tesão, ternura, desejos...
Mas de tudo tão pouco... sumiu...
E quando se despediu deixou um gosto de primeiro
que não se desfaz jamais
Da segunda vez que o amor chegou ele vestia vermelho
Cheirava vinho, era impetuoso, vibrante
Tinha um buraco no queixo
e trazia poesia na bagagem
Revirou minha vida,
mudou a retina dos meus olhos
cristalizou seu beijo nos meus lábios
E me fez mulher
E quando se foi
O sangue escorria de todos os poros
E morri devagarinho todos os dias
Da última vez que encontrei o amor ele era azul
Tinha o cheiro do mar com voz doce
Usava chapéu com olhos mansos
e voz suave que me tranqüilizava
com suas poesias viajeiras
Era raro como uma rosa azul com perfume de magnólia
E quando se despediu deixou a chuva nos meus olhos
E como uma terra semeada,
me tornei mais viva
E sigo presa-caçadora faminta
aguardando os encontros
de poesias não marcados...
09/10/2007
Encontros não marcados
Da primeira vez que vi o amor ele se apresentou colorido,
brincamos e sorrimos juntos,
tão inocentemente adolescentes
que nos tornamos um...
Ele falava poesias, vestia flores
e juntos descobrimos o corpo
que misturamos a tudo que tínhamos
Um pouco de paixão, um pouco de amor,
tesão, ternura, desejos...
Mas de tudo tão pouco... sumiu...
E quando se despediu deixou um gosto de primeiro
que não se desfaz jamais
Da segunda vez que o amor chegou ele vestia vermelho
Cheirava vinho, era impetuoso, vibrante
Tinha um buraco no queixo
e trazia poesia na bagagem
Revirou minha vida,
mudou a retina dos meus olhos
cristalizou seu beijo nos meus lábios
E me fez mulher
E quando se foi
O sangue escorria de todos os poros
E morri devagarinho todos os dias
Da última vez que encontrei o amor ele era azul
Tinha o cheiro do mar com voz doce
Usava chapéu com olhos mansos
e voz suave que me tranqüilizava
com suas poesias viajeiras
Era raro como uma rosa azul com perfume de magnólia
E quando se despediu deixou a chuva nos meus olhos
E como uma terra semeada,
me tornei mais viva
E sigo presa-caçadora faminta
aguardando os encontros
de poesias não marcados...
09/10/2007
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